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A Criança Interior
Nossa mente, ou melhor, o modelo mental dominante tem como característica pensar
em termos de separação, divisão, análise. Por intermédio deste modelo, a vida se
fragmenta. A moderna física quântica e a filosofia milenar compartilham o fato
de que a vida, em si mesma, não é dividida, é uma unidade. A vida, em si mesma,
permanece indivisível, mas a mente pensa em termos de fragmentos. Todo o
universo é uma Unidade Cósmica. Nós não estamos isolados; não somos como uma
ilha.
Nós estamos inseridos no oceano da existência, como uma onda.
Nascemos com esta sabedoria. Você já observou uma criança pequena ainda não
contaminada pelo adulto, pelos padrões sociais...que reflete sua essência
divina... que parece pura luz?
O bebê, quando nasce, encontra-se extasiado em perceber o mundo, em contemplar a
existência, em explorar tudo o que está ao seu alcance.
A criança, enquanto essência, nos lembra como viver o momento presente, o aqui-e-agora. (As crianças não tiveram “passado” e o futuro não lhes interessa).
A criança tem habilidade para extrair alegria do simples. Uma criança pequena
não precisa de sofisticação e complexidade de estímulos, pois pode ficar
fascinada por prazeres simples e por uma vida singela. Ao mesmo tempo, sente uma
necessidade inata de se expandir, crescer e transpor barreiras. Ela veio ao
mundo para experimentar todas as coisas, para simplesmente... viver.
A criança tem inocência. Trata-se da atitude diante da vida que é desprovida de
julgamento ou de culpa. A inocência, no homem evoluído, não implica em uma
atitude ingênua, mas num conhecimento espiritual que está em harmonia com a
natureza e confia no Universo - aceitação dos fatos como eventos sincrônicos.
As crianças sabem natural e espontaneamente brincar e se divertir . Este dom se
manifesta, no adulto que ainda preserva sua criança interior, com a habilidade
de usar os elementos simples da vida de maneira revigorante e criativa para se
divertir e viver a alegria do momento. Ela nos permite ser expansivos e livres,
sem o apego a hábitos que produzem limitações; nos dá humor e alegria em nossa
brincadeira, pois ela não tem seriedade e opressão. Ela confronta-se com o
pensar adulto nos aspectos: expansão x estagnação, criatividade x rotina,
naturalidade x convencionalismo.
A criança interior se manifestará quando eliminarmos os bloqueios ao
autoconhecimento, críticas e separação, quando tivermos mais consciência (texto
complementar) de nós mesmos. A criança interior é onisciente, um reflexo do
Universo em nós.
A criança nasce sem fronteiras, sem nenhuma ideia de quem é. Seu primeiro
contato com a realidade que conhecemos, ocorre quando é priorizada a necessidade
de sobrevivência, de se inserir no meio em que vive, de ter uma identidade.
Porém, infelizmente, esta ideia de como o mundo é e de quem somos, vem do “lado
de fora”: alguém nos diz que somos bonitos, inteligentes, simpáticos,
afetuosos... Alguém nos diz que somos desajeitados, incompetentes, fracos! Nós
absorvemos aspectos positivos e negativos através da interferência dos outros.
Nós reunimos uma imagem e jamais olhamos para dentro de nós para ver quem
realmente somos. Nós, enquanto seres inconscientes, somos uma somatória de
influências: algumas recebidas de nossa mãe, de nosso pai, de nossos amigos;
outras da educação, cultura, religião, sociedade. “O lado de fora” é insaciável:
devemos “ser alguém”, devemos “tornar-nos alguém” para que possamos ser aceitos,
amados, respeitados, num modelo de sociedade que não está interessado em saber
quem realmente somos.
Cada elemento da natureza, uma árvore, uma pedra...., bem como uma criança,
enquanto essência, é desprovida de ego. Eles não têm a necessidade de “tornar-se”
ou “vir a ser”, eles apenas são. Eles pertencem à existência e conhecem o Todo !
Para procurarmos nosso verdadeiro centro interior é preciso retornar ao ponto em
que éramos uma criança imersa na existência. Para tanto, é necessário que nos desindentifiquemos das ideias que pensávamos serem nossas, mas, na realidade,
são expressões do coletivo. Assim iniciará uma profunda transformação que
culminará num redirecionamento de toda concepção que temos de nós mesmos, de
nossa mente, do nosso corpo e de nossos sentimentos.
Um caminho seguro em direção à busca de nossa essência é sintonizar o nosso
coração à pulsação da existência para podermos absorver da fonte pura (natureza
e criança, como essência ) aquilo que em nós encontra-se esquecido. A energia do
amor é capaz de fazer a ligação necessária. Portanto, é de máxima urgência,
amarmos a criança que existe dentro e fora de nós, bem como toda a natureza como
extensão de nós mesmos. Precisamos ser humildes, pois temos muito a aprender com
nossas crianças e em contrapartida, ensiná-las a manter a sua essência sempre
viva.
A natureza e a criança são a prioridade máxima, segundo nossa visão, para a
sociedade do próximo (deste) milênio.
O mundo seria maravilhoso se o coração do
homem fosse governado por sua essência !
O segredo de toda a vida encontra-se numa palavra mágica: simplicidade. E o
segredo de toda transformação é a humildade que a simplicidade de ser nos
proporciona.
Algumas frases ....
“Se ele” ( o homem ) “pensar a realidade como constituída de fragmentos
independentes, sua mente irá operar de modo fragmentário. Mas, se ele incluir
todas as partes em um todo global ininterrupto e ilimitado, sua mente irá
mover-se de modo semelhante, agindo em harmonia dentro do todo”. (1) D. Bohn.
“Qualquer elemento armazena dentro de si a totalidade do universo” (2) ( ou
“Universo” ? ) D. Bohn
“Quando o homem pensa desta maneira” (referindo-se à sua visão fragmentada de
que a realidade só pode ser compreendida se for desmontada e analisada em cada
uma de suas partes ) “é inevitável que queira defender as necessidades do seu
próprio ego contra a dos outros; e, se ele se identificar com um grupo de
pessoas do mesmo tipo que ele, defenderá este grupo de modo semelhante. Ele não
consegue pensar seriamente na humanidade como realidade básica, cujas
necessidades vêm em primeiro lugar. Mesmo que tente levar em conta as
necessidades da raça humana, ele a verá como separada da natureza, e assim por
diante”. (3) David Bohn
“Aquilo que vemos imediatamente é, na realidade, um aspecto muito
superficial...o que denominamos de coisas reais são de fato diminutas ondas que
têm o seu lugar, mas que usurparam o todo”. (4) Renèe Weber
“Está se tornando cada vez mais evidente que os seres humanos podem atuar em
amplas áreas de consciência, transcendendo os limites de seus corpos físicos, o
alcance de seus órgãos sensoriais e as características newtonianas de espaço e
tempo”. (5) Stanislav Grof
“Às vezes sinto como se estivesse espalhado por toda a paisagem e mesmo dentro
das coisas, e eu mesmo estou vivendo em cada árvore, nos borrifos das ondas, nas
nuvens e nos animais que vêm e que vão, na seqüência das estações”. (6) Carl
Gustav Jung
“Embora se configura inconcebível para a razão comum...você e todos os demais
seres conscientes estão integrados reciprocamente. Portanto, esta sua vida atual
não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido, é o
todo...Assim, você pode se lançar ao chão, espraiado ( esparramado ) na Mãe
Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo”. (7) E.
Schoedingen
“Percebi, repentinamente, como algo auto-evidente, que... éramos todos
responsáveis um pelo outro, não somente no sentido superficial da
responsabilidade social, mas porque, de alguma forma inexplicável, participamos
da mesma substância de identidade, na mesma maneira como gêmeos siameses ou
vasos que se intercomunicam”. (8) Arthur Koestler
Arquétipo da criança interior: “Totalidade que abrange as próprias raízes da
natureza”. (Jung).
“O homem moderno não entende o quanto o seu “racionalismo” ( que lhe destruiu a
capacidade de reagir a idéias e símbolos numinosos ) o deixou à mercê do
“submundo” psíquico. Libertou-se das “supertições” ( ou pelo menos pensa tê-lo
feito ), mas neste processo perdeu seus valores espirituais em escala
positivamente alarmante. Suas tradições morais e espirituais desintegraram-se e,
por isso, paga agora um alto preço em termos de desorientação e dissociação
universais”.
“À medida que aumenta o conhecimento científico diminui o grau de humanização do
nosso mundo. O homem sente-se isolado no cosmo por que, já não estando envolvido
com a natureza, perdeu sua “identificação emocional inconsciente” com os
fenômenos naturais. E os fenômenos naturais, por sua vez, perderam aos poucos as
suas implicações simbólicas. ... Pedras, plantas e animais já não têm “vozes”
para falar ao homem e o homem não se dirige mais a eles na presunção de que
possam entendê-lo. Acabou-se o seu contato com a natureza, e com ele foi-se
também a profunda energia emocional que esta conecção simbólica alimentava”. ( 9
) Carl Gustav Jung
“Poético e misterioso Deus-criança repleto de promessas e possibilidades,
devaneios e deslumbramentos, renascimentos e renovações, o mais excelso, de
melhor qualidade em cada um de nós”. ( 10 ) Jeremiah Abraham
Referências Bibliográficas:
(1), (2) e (3) - A Totalidade e a Ordem Implicada, David Bohm ( físico ), Ed.
Cultrix, SP.
(4) - The Enfolding-Unfolding Universe: A Conversation With David Bohm, por
Renèe Weber, Re-vision, 1, n º 3 e (1978). P 48.
(5) - Modern Consciousness Research and the Quest for a New Paradigm, Stanislav
Grof (psicólogo ), Re-vision, 2, n º 1 ( 1979 ).p 48
(6) - Memories, Dreams, Reflections, C. G. Jung ( Psiquiatra ), Aniela Jaffe (
Nova York: Random House, 1965 ) pp. 225-26.
(7) - My View of the World, Erwin Schoedinger ( fundador da mecânica quântica ),
( Londres: Cambridge University Press, 1964 ) , p. 21.
(8) - Darkness at Noon, Arthur Koestler ( jornalista ), ( Nova York: Signet
Classics, l961 )
(9) - O Homem e seus Símbolos, C.G. Jung, Editora Nova Fronteira( pg. 94 e 95 )
(10) - O Reencontro da Criança Interior , Jeremiah Abraham, Editora Cultrix
Bibliografia:
-A Emergência da Criança Divina - A Cura do Corpo Emocional, Rick Phillips,
Editora Pensamento, SP.
-A Nova Alquimia, OSHO ( Bhagwan Shree Rajneesh ) Ed. Cultrix , SP
-Meditação, a Primeira e Última Liberdade, OSHO ( Bhagwan Shree Rajneesh )
Shanti Editora -Diversos sites Internet.
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