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A Criança Interior


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Autor da foto: Anne Geddes (?) - Caso você seja o autor e/ou proprietário, clique aqui.

O mundo seria maravilhoso se o coração do homem fosse governado por sua Essência !
 
 
 
 
     
 

A Criança Interior


Nossa mente, ou melhor, o modelo mental dominante tem como característica pensar em termos de separação, divisão, análise. Por intermédio deste modelo, a vida se fragmenta. A moderna física quântica e a filosofia milenar compartilham o fato de que a vida, em si mesma, não é dividida, é uma unidade. A vida, em si mesma, permanece indivisível, mas a mente pensa em termos de fragmentos. Todo o universo é uma Unidade Cósmica. Nós não estamos isolados; não somos como uma ilha.

Nós estamos inseridos no oceano da existência, como uma onda.

Nascemos com esta sabedoria. Você já observou uma criança pequena ainda não contaminada pelo adulto, pelos padrões sociais...que reflete sua essência divina... que parece pura luz?   O bebê, quando nasce, encontra-se extasiado em perceber o mundo, em contemplar a existência, em explorar tudo o que está ao seu alcance.

A criança, enquanto essência, nos lembra como viver o momento presente, o aqui-e-agora. (As crianças não tiveram “passado” e o futuro não lhes interessa).

A criança tem habilidade para extrair alegria do simples. Uma criança pequena não precisa de sofisticação e complexidade de estímulos, pois pode ficar fascinada por prazeres simples e por uma vida singela. Ao mesmo tempo, sente uma necessidade inata de se expandir, crescer e transpor barreiras. Ela veio ao mundo para experimentar todas as coisas, para simplesmente... viver.

A criança tem inocência. Trata-se da atitude diante da vida que é desprovida de julgamento ou de culpa. A inocência, no homem evoluído, não implica em uma atitude ingênua, mas num conhecimento espiritual que está em harmonia com a natureza e confia no Universo - aceitação dos fatos como eventos sincrônicos.

As crianças sabem natural e espontaneamente brincar e se divertir . Este dom se manifesta, no adulto que ainda preserva sua criança interior, com a habilidade de usar os elementos simples da vida de maneira revigorante e criativa para se divertir e viver a alegria do momento. Ela nos permite ser expansivos e livres, sem o apego a hábitos que produzem limitações; nos dá humor e alegria em nossa brincadeira, pois ela não tem seriedade e opressão. Ela confronta-se com o pensar adulto nos aspectos: expansão x estagnação, criatividade x rotina, naturalidade x convencionalismo.

A criança interior se manifestará quando eliminarmos os bloqueios ao autoconhecimento, críticas e separação, quando tivermos mais consciência (texto complementar) de nós mesmos. A criança interior é onisciente, um reflexo do Universo em nós.

A criança nasce sem fronteiras, sem nenhuma ideia de quem é. Seu primeiro contato com a realidade que conhecemos, ocorre quando é priorizada a necessidade de sobrevivência, de se inserir no meio em que vive, de ter uma identidade. Porém, infelizmente, esta ideia de como o mundo é e de quem somos, vem do “lado de fora”: alguém nos diz que somos bonitos, inteligentes, simpáticos, afetuosos... Alguém nos diz que somos desajeitados, incompetentes, fracos! Nós absorvemos aspectos positivos e negativos através da interferência dos outros. Nós reunimos uma imagem e jamais olhamos para dentro de nós para ver quem realmente somos. Nós, enquanto seres inconscientes, somos uma somatória de influências: algumas recebidas de nossa mãe, de nosso pai, de nossos amigos; outras da educação, cultura, religião, sociedade. “O lado de fora” é insaciável: devemos “ser alguém”, devemos “tornar-nos alguém” para que possamos ser aceitos, amados, respeitados, num modelo de sociedade que não está interessado em saber quem realmente somos.
 
Cada elemento da natureza, uma árvore, uma pedra...., bem como uma criança, enquanto essência, é desprovida de ego. Eles não têm a necessidade de “tornar-se” ou “vir a ser”, eles apenas são. Eles pertencem à existência e conhecem o Todo !

Para procurarmos nosso verdadeiro centro interior é preciso retornar ao ponto em que éramos uma criança imersa na existência. Para tanto, é necessário que nos desindentifiquemos das ideias que pensávamos serem nossas, mas, na realidade, são expressões do coletivo. Assim iniciará uma profunda transformação que culminará num redirecionamento de toda concepção que temos de nós mesmos, de nossa mente, do nosso corpo e de nossos sentimentos.

Um caminho seguro em direção à busca de nossa essência é sintonizar o nosso coração à pulsação da existência para podermos absorver da fonte pura (natureza e criança, como essência ) aquilo que em nós encontra-se esquecido. A energia do amor é capaz de fazer a ligação necessária. Portanto, é de máxima urgência, amarmos a criança que existe dentro e fora de nós, bem como toda a natureza como extensão de nós mesmos. Precisamos ser humildes, pois temos muito a aprender com nossas crianças e em contrapartida, ensiná-las a manter a sua essência sempre viva.

A natureza e a criança são a prioridade máxima, segundo nossa visão, para a sociedade do próximo (deste) milênio.

O mundo seria maravilhoso se o coração do homem fosse governado por sua essência !

O segredo de toda a vida encontra-se numa palavra mágica: simplicidade. E o segredo de toda transformação é a humildade que a simplicidade de ser nos proporciona.

  
Algumas frases ....

“Se ele” ( o homem ) “pensar a realidade como constituída de fragmentos independentes, sua mente irá operar de modo fragmentário. Mas, se ele incluir todas as partes em um todo global ininterrupto e ilimitado, sua mente irá mover-se de modo semelhante, agindo em harmonia dentro do todo”. (1) D. Bohn.

“Qualquer elemento armazena dentro de si a totalidade do universo” (2) ( ou “Universo” ? ) D. Bohn

“Quando o homem pensa desta maneira” (referindo-se à sua visão fragmentada de que a realidade só pode ser compreendida se for desmontada e analisada em cada uma de suas partes ) “é inevitável que queira defender as necessidades do seu próprio ego contra a dos outros; e, se ele se identificar com um grupo de pessoas do mesmo tipo que ele, defenderá este grupo de modo semelhante. Ele não consegue pensar seriamente na humanidade como realidade básica, cujas necessidades vêm em primeiro lugar. Mesmo que tente levar em conta as necessidades da raça humana, ele a verá como separada da natureza, e assim por diante”. (3) David Bohn

“Aquilo que vemos imediatamente é, na realidade, um aspecto muito superficial...o que denominamos de coisas reais são de fato diminutas ondas que têm o seu lugar, mas que usurparam o todo”. (4) Renèe Weber

“Está se tornando cada vez mais evidente que os seres humanos podem atuar em amplas áreas de consciência, transcendendo os limites de seus corpos físicos, o alcance de seus órgãos sensoriais e as características newtonianas de espaço e tempo”. (5) Stanislav Grof

“Às vezes sinto como se estivesse espalhado por toda a paisagem e mesmo dentro das coisas, e eu mesmo estou vivendo em cada árvore, nos borrifos das ondas, nas nuvens e nos animais que vêm e que vão, na seqüência das estações”. (6) Carl Gustav Jung

“Embora se configura inconcebível para a razão comum...você e todos os demais seres conscientes estão integrados reciprocamente. Portanto, esta sua vida atual não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido, é o todo...Assim, você pode se lançar ao chão, espraiado ( esparramado ) na Mãe Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo”. (7) E. Schoedingen

“Percebi, repentinamente, como algo auto-evidente, que... éramos todos responsáveis um pelo outro, não somente no sentido superficial da responsabilidade social, mas porque, de alguma forma inexplicável, participamos da mesma substância de identidade, na mesma maneira como gêmeos siameses ou vasos que se intercomunicam”. (8) Arthur Koestler

Arquétipo da criança interior: “Totalidade que abrange as próprias raízes da natureza”. (Jung).

“O homem moderno não entende o quanto o seu “racionalismo” ( que lhe destruiu a capacidade de reagir a idéias e símbolos numinosos ) o deixou à mercê do “submundo” psíquico. Libertou-se das “supertições” ( ou pelo menos pensa tê-lo feito ), mas neste processo perdeu seus valores espirituais em escala positivamente alarmante. Suas tradições morais e espirituais desintegraram-se e, por isso, paga agora um alto preço em termos de desorientação e dissociação universais”.
“À medida que aumenta o conhecimento científico diminui o grau de humanização do nosso mundo. O homem sente-se isolado no cosmo por que, já não estando envolvido com a natureza, perdeu sua “identificação emocional inconsciente” com os fenômenos naturais. E os fenômenos naturais, por sua vez, perderam aos poucos as suas implicações simbólicas. ... Pedras, plantas e animais já não têm “vozes” para falar ao homem e o homem não se dirige mais a eles na presunção de que possam entendê-lo. Acabou-se o seu contato com a natureza, e com ele foi-se também a profunda energia emocional que esta conecção simbólica alimentava”. ( 9 ) Carl Gustav Jung

“Poético e misterioso Deus-criança repleto de promessas e possibilidades, devaneios e deslumbramentos, renascimentos e renovações, o mais excelso, de melhor qualidade em cada um de nós”. ( 10 ) Jeremiah Abraham
   
 

Referências Bibliográficas:

(1), (2) e (3) - A Totalidade e a Ordem Implicada, David Bohm ( físico ), Ed. Cultrix, SP.
(4) - The Enfolding-Unfolding Universe: A Conversation With David Bohm, por Renèe Weber, Re-vision, 1, n º 3 e (1978). P 48.
(5) - Modern Consciousness Research and the Quest for a New Paradigm, Stanislav Grof (psicólogo ), Re-vision, 2, n º 1 ( 1979 ).p 48
(6) - Memories, Dreams, Reflections, C. G. Jung ( Psiquiatra ), Aniela Jaffe ( Nova York: Random House, 1965 ) pp. 225-26.
(7) - My View of the World, Erwin Schoedinger ( fundador da mecânica quântica ), ( Londres: Cambridge University Press, 1964 ) , p. 21.
(8) - Darkness at Noon, Arthur Koestler ( jornalista ), ( Nova York: Signet Classics, l961 )
(9) - O Homem e seus Símbolos, C.G. Jung, Editora Nova Fronteira( pg. 94 e 95 )
(10) - O Reencontro da Criança Interior , Jeremiah Abraham, Editora Cultrix
Bibliografia:
-A Emergência da Criança Divina - A Cura do Corpo Emocional, Rick Phillips, Editora Pensamento, SP.
-A Nova Alquimia, OSHO ( Bhagwan Shree Rajneesh ) Ed. Cultrix , SP
-Meditação, a Primeira e Última Liberdade, OSHO ( Bhagwan Shree Rajneesh ) Shanti Editora -Diversos sites Internet.